Desemprego cai a 5,3% em agosto, menor taxa para o mês desde 2012; renda fica estável - O GLOBO
O desemprego segue nas mínimas históricas e caiu para 5,3% no trimestre móvel encerrado em agosto, informou nesta terça-feira o IBGE. É a menor taxa para o mês desde 2012, quando foi iniciada a série histórica. O rendimento médio ficou estável em R$ 3.777, mas cresceu 3,7% em relação a agosto do ano passado.
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No trimestre encerrado em maio, que serve de base de comparação nas estatísticas do IBGE, o índice de desemprego estava em 5,6%. Naquele período, 6,1 milhões de pessoas estavam desocupadas. Agora, são 5,8 milhões em busca de uma vaga.
Um ano antes, nos três meses encerrados em agosto de 2025, o desemprego estava em 5,6% (6,1 milhões de pessoas).
Embora o desemprego siga em nível historicamente baixo, economistas avaliam que o mercado de trabalho entrou em uma fase de acomodação gradual. A tendência, dizem, é de perda de força do emprego e da renda como motores da demanda no fim do ano.
Rodolpho Tobler, economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), alerta que o ritmo mais moderado de geração de vagas já reflete a perda de fôlego da economia brasileira.
— A tendência é que seja um final de ano (com consumo) um pouco mais fraco do que anos anteriores — afirma. — A economia está esfriando. Naturalmente, o mercado de trabalho deixa de gerar vagas naquele ritmo intenso que vimos no ano passado.
Leonardo Costa, economista do ASA, concorda que o mercado de trabalho já dá sinais de desaceleração gradual. Os dados do Caged divulgados nesta tarde, assim como os do IBGE, apontam para um ritmo mais fraco de criação de vagas quando comparado com 2024 e início de 2025. Para ele, o avanço mais lento da ocupação e a acomodação da renda indicam um ambiente menos favorável à demanda.
"O impulso do mercado de trabalho para o consumo vem se tornando menos intenso ao longo dos últimos meses (...) O conjunto dos dados é compatível com um cenário de desaceleração do mercado de trabalho, em linha com um PIB próximo da estabilidade no terceiro trimestre", acrescenta.
O desemprego caiu junto com o aumento da ocupação. A população ocupada, ou seja, o número de brasileiros trabalhando, chegou ao recorde de 103,5 milhões. Foram 774 mil pessoas a mais ocupadas em relação ao trimestre anterior.
A maior parte desse avanço, porém, veio de postos informais. Dos novos ocupados, 528 mil — ou sete em cada dez — ingressaram sem carteira assinada ou CNPJ. A maior parcela, 244 mil pessoas, foi para o setor privado sem carteira.
Outras 117 mil passaram a trabalhar por conta própria sem CNPJ. O restante do avanço veio de trabalhadores domésticos sem carteira (40 mil), empregadores sem CNPJ (52 mil) e trabalhadores familiares (75 mil).
Na outra ponta, o número de trabalhadores com carteira assinada, por conta própria e sem carteira ficou estável no trimestre. O emprego formal no setor privado, porém, atingiu o maior contingente da série, com 39,5 milhões de pessoas.
Em termos de atividade, a indústria e a construção foram responsáveis pelo avanço da ocupação. A indústria ganhou 265 mil trabalhadores, alta de 2% no trimestre, enquanto a construção incorporou outros 306 mil, avanço de 4,1% no período.
Segundo o IBGE, mais de 200 mil novos ocupados na indústria ingressaram com carteira, enquanto 65 mil entraram como informais. Já na construção civil, a absorção de mão de obra foi mais dividida, com cerca de 100 mil empregos com carteira e 100 mil sem carteira, além do avanço no trabalho por conta própria.
— É um período de transição entre o primeiro e o segundo semestre. É um momento em que o mercado consegue avaliar o que está acontecendo no ano e começa um planejamento para o segundo semestre. Se temos um período de maiores vendas no último trimestre do ano, para atender esse aumento de demanda, a indústria tem que estar produzindo e aumentando estoque para que essa demanda seja atendida.
A Pnad traz informações sobre trabalhadores formais e informais. A pesquisa é divulgada mensalmente, mas traz informações do trimestre. A coleta de dados é feita em regiões metropolitanas do país.
Outra pesquisa a ser divulgada nesta terça-feira é a do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho. Esta só traz informações sobre trabalho com carteira assinada, com base no que as empresas informam ao ministério, e os dados se referem a um único mês.


