'Selo Ouro do MEC', 'economês' e batalha de números: como foi o debate entre Tarcísio e Haddad em SP

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Embora tenham passado por temas como saúde, segurança, transportes e Sabesp, o debate entre o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição, e Fernando Haddad (PT), ex-ministro da Fazenda do governo Lula, foi dominado por uso intenso de "econo...

Embora tenham passado por temas como saúde, segurança, transportes e Sabesp, o debate entre o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição, e Fernando Haddad (PT), ex-ministro da Fazenda do governo Lula, foi dominado por uso intenso de "economês", debate fiscal e batalha de números. No entanto, foi o debate sobre educação que gerou momento mais inusitado, que ocorreu quando os candidatos falaram sobre o "Selo Ouro do MEC".

No segundo bloco, Tarcísio e Haddad usaram boa parte de seus minutos de fala livre travando uma batalha sobre números. O candidato do Republicanos mencionou os processos recentes de recuperação judicial de grandes empresas, como Casas Bahia, Marabraz e Habib’s para argumentar que “as empresas estão quebrando, pais de família estão perdendo seus empregos” e que é necessário um “ajuste fiscal” na gestão federal.

— Você acha que o Brasil precisa de ajuste fiscal, de ajuste de rota? Você aconselharia o presidente da República a fazer ajuste? – indagou o governador.

Haddad fez comparações com a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro e de seu ministro da Economia, Paulo Guedes.

— Você sabe qual foi o déficit que o Paulo Guedes deixou para a gente pagar? Quase R$ 200 bilhões. Você foi lá no Planalto cobrar o calote que o Bolsonaro deu no (João) Doria (ex-governador de São Paulo), eu fui lá e paguei porque eu não te discriminei. Teve dois calotes na história do Brasil: o (Fernando) Collor na poupança e o Bolsonaro nos precatórios. Não vem falar de Casas Bahia porque pedófilo que deve administrar muito mal a sua empresa que pague, não vou ficar defendendo empresário aqui que é criminoso — disse.

Tarcísio então rebateu falando que “o problema é tratar mal os empreendedores”, dizendo que “o governo está gastando muito”, e chegou a insinuar que o petista seria “negacionista”.

— O governo está gastando muito, não admitir que o governo está gastando muito, as pessoas estão endividadas, as coisas estão caras, poderia classificar isso como negacionismo fiscal — falou.

Em seguida, os dois trocaram acusações sobre as contas do estado de São Paulo, com Tarcísio dizendo que houve superávit em todo o seu mandato até agora, enquanto Haddad disse que "não houve maior tragédia fiscal do que a do governo Bolsonaro".

No terceiro bloco, a tônica do debate mudou para a infraestrutura e a mobilidade urbana, com os candidatos disputando a paternidade dos investimentos no estado — a batalha de números e o jargão mais técnico permaneceu. Tarcísio enfileirou uma longa lista de obras metroviárias e rodoviárias em andamento, como o Rodoanel Norte e as linhas 6 e 17 do metrô, argumentando que sua gestão destravou projetos paralisados por esquemas de corrupção do passado.

Haddad minimizou o ritmo das entregas e atribuiu o avanço das obras aos aportes do governo federal através do Novo PAC e à renegociação da dívida dos estados promovida enquanto o candidato era Ministro da Fazenda, que teria garantido um alívio de R$ 12 bilhões anuais aos cofres paulistas. Tarcísio rejeitou a premissa de que os repasses federais sejam um mérito político, comparando-os a um empréstimo bancário comum.

— O governo federal fez uma operação de crédito, está ganhando dinheiro também, porque essa operação de crédito tem que ser rentável. É mais ou menos o seguinte: você vai lá, compra uma geladeira no Santander, e depois agradece o Santander pelo financiamento da sua geladeira, como se o banco tivesse te dado a geladeira — ironizou o governador.

O debate sobre educação gerou um dos momentos mais inusitados do confronto, quando Tarcísio falou que ganhou “Selo Ouro” do Ministério da Educação (MEC) pelo seu programa de alfabetização, ao que Haddad afirmou que não sabia do que o governador estava falando. O Selo Ouro do MEC foi instituído em 2024, na gestão Camilo Santana no MEC, e reconhece as boas práticas das secretarias de Educação na formulação e implementação de políticas, programas e estratégias voltadas à garantia do direito à alfabetização.​

– Nós ganhamos Selo Ouro do Ministério da Educação – apontou Tarcísio.

— Mas está ou não está abaixo da média nacional?

— Por que a gente ganhou um selo ouro do Ministério da Educação?

Neste momento, Haddad demorou alguns segundos para responder, mas repetiu os argumentos falando que “ninguém sabe o significado disso”. Tarcísio então debochou, indagando se o adversário “não conhece o Selo Ouro do MEC?”

— O que eu conheço são indicadores do MEC que o Brasil inteiro conhece — respondeu Haddad.

Sobre o tema, o petista, que já foi ministro da Educação de Lula, apontou que São Paulo caiu da 3ª para 10ª posição no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) no ensino médio, ao que o atual governador mencionou o dado do Pisa, que mostrou o estado no segundo lugar no país no índice, e prometeu ampliar as escolas de tempo integral, uma de suas promessas de campanha da eleição passada que não foi cumprida totalmente.

— Você prometeu, em 2022, conseguir 60% da matrícula em tempo integral ao final do seu mandato. Você entregou o que você prometeu?

— Em não entregar você tem bastante experiência porque você não entregou no seu mandato como prefeito.

Os dois então bateram boca brevemente sobre o tema: Haddad insistiu para que Tarcísio respondesse, ao que o candidato do Republicanos perguntou se o oponente iria interrompê-lo.

— As crianças na sua gestão não tinham vaga de creche. E a gente tinha que primeiro estruturar as escolas de tempo integral. Houve uma aceleração das escolas de tempo integral para estruturá-las, aí demos um passo atrás. A gente saiu das 2.047 para 2.500 escolas de tempo integral. E nós vamos continuar agora nesse rumo — disse.

Principal métrica de avaliação da rede pública de ensino no país, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) teve avanços em São Paulo durante o governo Tarcísio, mas não recuperou os patamares de antes da pandemia e apresenta ritmo de crescimento mais baixo do que outros estados. O resultado combina as taxas de aprovação escolar com o aprendizado, calculado a partir de exames de português e matemática.

No ensino médio, por exemplo, a nota da rede pública estadual paulista subiu de 4,2 para 4,3 entre 2023 e 2025, numa escala que vai de 0 a 10. Em 2021, antes da covid-19 afetar o desempenho escolar, era de 4,4. São Paulo já ocupou o primeiro lugar no ranking, em 2015, mas era apenas o 8º em 2021, manteve o posto em 2023, no primeiro ano de Tarcísio, e agora figura na 10º colocação.

Em relação ao ensino fundamental, cuja responsabilidade é compartilhada com os municípios, São Paulo também cresceu no espaço de dois anos, considerando apenas as escolas administradas pelo estado.

Nos anos finais (6º ao 9º ano), passou de 5,1 para 5,2 na rede pública estadual, que responde por cerca de metade das matrículas, e ainda abaixo do nível pré-pandemia, quando tinha 5,3. O acréscimo foi maior nos anos iniciais (1º ao 5º ano), subindo de 6,2 para 6,6, mas o efeito é menos decisivo, uma vez que mais de 80% das matrículas estão nas escolas municipais.

O governo Tarcísio procurou investir em plataformas digitais e painéis de metas para reorganizar o currículo e a gestão escolar. O secretário estadual de Educação, Renato Feder, é ex-CEO da Multilaser, o que levantou controvérsias no começo da gestão por conta de contratos assinados com a empresa. A oposição critica o método alegando perda de autonomia dos docentes e pressão excessiva.

No quarto bloco, Haddad e Tarcísio debatiam sobre a privatização da Sabesp quando o petista mencionou, indiretamente, as notícias recentes relacionadas à Igreja Católica e a Nossa Senhora de Aparecida.

— O papel da política é alertar o cidadão para os riscos que ele está correndo pelas decisões que os governantes tomam em nome dele. Eu alertei que o feminicídio iria crescer em São Paulo, porque já havia uma tendência de intolerância contra mulheres, negros e LGTBQIA+.

Eu alertei em 2022 sobre a intolerância religiosa, intolerância contra os católicos. São alertas que nós fazemos para evitar transtornos para a sociedade — falou. — Eu estou aqui de boa fé, fazendo um diagnóstico do que está acontecendo, e ouço você dizendo que está tudo bem, quando 60% da população se sente inseguro em São Paulo.

Tarcísio então defendeu seus indicadores de segurança pública, que apresentaram queda em crimes como homicídio e latrocínio, e tentou mudar de assunto, indagando o que o adversário pensa sobre o Integra Tietê, programa de desassoreamento dos rios Tietê e Pinheiros.

— Eu não conheço esse programa. O que eu sei é que ele está mais poluído — falou Haddad.

— Não, não está não — rebateu Tarcísio.

O tema das isenções fiscais no Estado de São Paulo marcou um dos momentos de maior embate no debate entre os candidatos ao Palácio dos Bandeirantes. Haddad questionou a transparência da atual gestão, citando apontamentos do Tribunal de Contas do Estado (TCE) sobre o que classificou como uma "caixa preta" de benefícios a empresários. Em resposta, Tarcísio de Freitas defendeu a revisão e o corte de incentivos fiscais feitos por sua administração, destacando novas medidas de transparência adotadas.

Haddad utilizou seu tempo para pressionar o adversário sobre as renúncias de receitas dadas a grandes empresas, comparando a prática a um "orçamento secreto" estadual, voltado ao chamado "bolsa empresário". Ele cobrou a abertura dos dados detalhados para a população, seguindo as recomendações do próprio TCE.

— O tribunal está dizendo que é uma caixa preta. Só o orçamento secreto. Só o governador e algumas pessoas sabem. E está recomendando abrir, como nós fizemos no governo federal. Abre as contas. CNPJ por CNPJ de todos os bilionários que têm algum tipo de incentivo fiscal. Você vai manter essa caixa preta no seu segundo mandato? — perguntou Haddad.

De acordo com a proposta de orçamento para este ano, o governo de São Paulo teve custo de R$ 85,6 bilhões com renúncias fiscais a empresas paulistas. O montante foi alvo de críticas do Tribunal de Contas do Estado (TCE), que opinou pela revisão da política por conta de “renúncias injustificadas e ausência de parâmetros para monitoramento”, assim como da oposição, que reclama da dispensa de arrecadação frente ao recurso disponível em áreas como saúde, educação e segurança pública.

O governo alega que os benefícios foram revistos ao longo do mandato, apesar da alta nos gastos em três anos. Em julho de 2025, a Fazenda estadual justificou esse crescimento pela “intensidade de uso” dos artigos isentos de impostos ou com alíquotas reduzidas, mesmo com cortes de 84 benefícios e modificação de outros 17 no espaço de um ano. Documentos anexados ao orçamento, contudo, mostraram que outras renúncias foram inauguradas pelo governo Tarcísio.

Foram concedidas desonerações de ICMS a setores de data centers, energia solar, bebidas lácteas, derivados de soja e remessas postais. Alguns decretos foram mais direcionados: em 2024, o governo decidiu isentar o medicamento Elevydis, usado para o tratamento da distrofia muscular de Duchenne; em 2025, concedeu incentivo fiscal para a importação de equipamentos de parque de diversões, para atender empreendimento da Cacau Show na cidade de Itu.

O atual governador negou a falta de transparência alegada por Haddad, afirmando ter criado um campo específico na nota fiscal eletrônica destinado à identificação irrestrita de todos os benefícios tributários. Ao final de sua fala, Tarcísio tentou mudar o tom do embate, argumentando que os eleitores estão mais interessados na apresentação de propostas e direcionou uma pergunta sobre mães atípicas ao adversário

Tarcísio perguntou o que Haddad propõe para o auxílio de “mães atípicas” e crianças com TEA, e afirmou que abriu diversos centros dedicados durante seu mandato. Haddad não recuou e pressionou sobre prestação de contas, e emendou críticas à falta de atendimento especializado para crianças autistas na rede estadual por falta de contratações. O governador rapidamente negou a situação e afirmou que aumentou a contratação de profissionais na sua gestão.

No quarto e último bloco do debate, a pauta ambiental e a crise hídrica dominaram a conversa, com a Sabesp voltando ao centro do ringue. Haddad iniciou o bloco exaltando o Plano de Transformação Ecológica do governo federal e a atuação da ministra Marina Silva. O petista acusou a base bolsonarista de negacionismo científico, relacionando a postura antivacina à recusa em aceitar a gravidade das mudanças climáticas, o que, segundo ele, refletiu na falta de preparo do estado no combate aos incêndios de 2024.

Ao abordar a escassez de água, Haddad fez questão de desvincular a crise climática da qualidade do serviço da Sabesp recém-privatizada, acusando a gestão de Tarcísio de quebrar a promessa de redução de tarifas e de entregar um serviço precário e perigoso.

— O que a Sabesp pedia para os moradores da Baixada? Não tomarem água. Porque existe aquele problema de saúde pública. Está faltando água no centro de São Paulo, em bairros que já eram atendidos. (...) A promessa que você fez em 2022 de que a privatização reduziria a conta de água, nós estamos vendo uma coisa completamente diferente — disparou Haddad, classificando a situação pós-privatização como um "pesadelo".

Tarcísio rebateu as acusações de negligência climática listando uma série de obras estruturais. O governador citou um plano de R$ 30 bilhões em resiliência, destacando a construção de grandes reservatórios na região de Campinas, barragens no interior e adutoras na Baixada Santista. Na defensiva sobre a Sabesp, Tarcísio acusou o adversário de causar pânico infundado na população.

O governador argumentou que a recomendação da companhia para evitar o consumo da água em um episódio específico foi uma medida técnica de precaução e não um colapso do serviço. Ele assegurou que a empresa mantém seu quadro de excelência, mas agora com capacidade de investimento para levar saneamento a áreas periféricas, como Perus e Guarulhos. Elevando o tom, Tarcísio partiu para o contra-ataque em nível nacional.

— Não sejamos inimigos do saneamento básico. Vocês são. Vocês votaram contra o Marco do Saneamento. Nós temos 100 milhões de pessoas sem esgoto tratado no Brasil e o PT governou o país por 20 anos. Por que o PT não fez nada? — provocou Tarcísio.

Após mais uma ‘batalha de números’ sobre a viabilidade de um Bilhete Único Metropolitano, o clima voltou a esquentar no tema das privatizações. Haddad elevou o tom contra o modelo de concessões da atual gestão, focando especialmente nas linhas da CPTM e na Sabesp. Ele acusou o governo de onerar o Estado para garantir lucros aos empresários, apontando uma piora no serviço para os passageiros.

— Você entregou a CPTM para gente que não entende de trem. Você está onerando os cofres públicos com indenizações para empresários aliados. (...) Depois da privatização, aumentou em 27% as falhas. Pergunta para quem mora no extremo leste da região metropolitana o que está acontecendo com os trens privatizados — atacou Haddad.

O atual governador defendeu o programa de desestatização como um passo estrutural e inegociável para a modernização logística de São Paulo. Tarcísio também pediu paciência aos eleitores para os resultados de longo prazo.

— A gente não faz privatização por fazer, a gente faz para melhorar o serviço. A gente não consegue construir um prédio pela cobertura, começa pela fundação. E vocês vão ver o transporte melhorando, o tempo de viagem diminuindo, a qualidade dos terminais e dos trens melhorando — concluiu Tarcísio.

Ao escolher o tema, Tarcísio indagou o adversário sobre o que ele fará para saúde na Baixada Santista, ao que Haddad respondeu afirmando que “a fila para cirurgias aumentou 300%” no estado, segundo levantamento do Tribunal de Contas da União (TCU), e culpou a má gestão da rede na atual gestão.

— Você vai negar, porque você nega tudo. A fila não anda porque a regulação é mal feita, não há uma gestão inteligente da fila da saúde. Você entra na fila da saúde, da consulta e da cirurgia, você não tem uma quantidade de hospitais-dia em São Paulo para desafogar os hospitais gerais. O Hospital de Santos entrou em colapso dois anos atrás, na sua gestão. O governador de São Paulo é o único que não põe dinheiro no Samu, e não integra o Samu à rede estadual — falou o petista.

Tarcísio rebateu mencionando entregas que fez no Litoral, como o Hospital de Peruíbe e as novas instalações no Hospital de Bertioga, e prometeu um centro de especialidades em Cubatão.

— Nós criamos uma coisa aqui que é a Tabela SUS Paulista, fruto de um esforço do Tesouro do estado para resolver o problema. A gente conseguiu abrir mais leitos, nós estamos fazendo mais cirurgias, São Paulo fazia 720 mil cirurgias por ano, estamos fazendo 1,4 milhão de cirurgias por ano. Estamos pagando um incentivo de gestão municipal para ajudar os municípios na atenção básica, estamos fazendo a diferença — falou.

O petista então trouxe a gestão de Jair Bolsonaro (PL), principal padrinho político do adversário, para o debate, indagando se ele fazia ideia “do caos que foi a gestão da saúde no governo Bolsonaro, a pior gestão do mundo de uma pandemia”. Tarcísio, por sua vez, fez uma comparação com a gestão de Haddad na prefeitura de São Paulo, entre 2012 e 2016.

– Eu quero perguntar para o Ricardo Nunes qual foi a herança que ele recebeu de você na prefeitura. A sua gestão da saúde foi desaprovada por 80% da população. Diferente de você, a gente entrega — falou.

– Eu vou reformular a regulação do Cross (Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde), que não coloca um centavo em inteligência, tecnologia. Nós estamos revivendo uma revolução tecnológica e você está no tempo do telefone fixo, as pessoas ligam para um call-center, você acha razoável a pessoa pegar um telefone fixo para marcar uma consulta?

Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre o Programa Agora Tem Especialistas (Pate), do Ministério da Saúde, divulgada em junho, apontou que em São Paulo, apenas 11,2% dos municípios usam plataformas federais de regulação. Isso dificulta a consolidação de informações.

A auditoria mostrou que São Paulo está entre os estados com maior crescimento nas filas de cirurgias eletivas do país nos últimos anos: a alta foi superior a 300% entre 2023 e 2025, um dos piores desempenhos do Brasil no período, ao lado do Rio de Janeiro e de Rondônia.

O petista, primeiro a perguntar, escolheu focar na região de Piracicaba, questionando o adversário sobre a presença da facção criminosa Comando Vermelho (CV) em São Paulo, na região de Piracicaba.

— Eu queria fazer uma provocação porque os fatos noticiados nesta semana mais uma vez desmentem uma posição do meu adversário em relação à presença do Comando Vermelho no estado de São Paulo. As primeiras notícias são justamente nas regiões de Rio Claro e Piracicaba, quando eu falei disso numa entrevista, você debochou. E agora essa semana a notícia de que na Praia Grande, na Baixada, também há um núcleo de inteligência do CV lá. Você vai continuar negando essa presença? — falou Haddad.

Tarcísio evitou responder sobre o tema diretamente, iniciou o debate agradecendo a Deus, pelo “dom da vida”, a sua família e apoiadores e elencou dados mostrando a redução de indicadores criminais de homicídio, latrocínio e roubo de cargas.

— A gente fez um trabalho muito sério na segurança pública, e todos os indicadores criminais estão caindo. Nessa semana, nós tivemos a oportunidade de trazer para cá dois criminosos do PCC que estavam foragidos na Bolívia. Antigamente, se falava na infiltração do PCC no setor de transporte e combustíveis, e tivemos operações. Impusemos prejuízos ao PCC como nunca antes, a cada três dias tinha uma operação diferente e o resultado foi a redução dos indicadores criminais. Temos que comemorar o fim da Cracolândia. Na região de Piracicaba, tínhamos até pouco tempo atrás algumas facções com ligações com o CV, como o Bonde do Magrelo, e temos que cumprimentar a nossa polícia – falou.

Haddad insistiu na questão do PCC. Em 30 de agosto, Tarcísio participou do lançamento das candidaturas de Alexandre Leite (União) a deputado federal e Milton Leite Filho (União) a deputado estadual, ambos filhos de Milton Leite, ex-presidente da Câmara Municipal que foi preso há duas semanas após ser alvo da Operação Vectura Corrupta, que apura a ligação do PCC com o sistema de ônibus da capital. Segundo as investigações da Polícia Civil, Milton Leite era o verdadeiro dono da Transwolff, empresa que seria usada pela facção criminosa para lavar dinheiro por meio do serviço de transporte na cidade.

— Tarcísio você estava pedindo voto há 15 dias atrás para os filhos do Milton Leite, que está preso. Você fala que a sua polícia estava investigando, ninguém te informou que você não devia subir no palanque de alguém que seria preso 15 dias depois? — questionou Haddad.

— Você está mal informado. Com relação a estar no palanque dos filhos do Leite, a relação com ele sempre foi institucional, eles não tem nada no governo de São Paulo, nenhum cargo.

Segundo as investigações da Polícia Civil, Milton Leite era o verdadeiro dono da Transwolff, empresa que seria usada pela facção criminosa para lavar dinheiro por meio do serviço de transporte na cidade.

Nas considerações finais, Tarcísio acenou para as mulheres, prometendo medidas para evitar o feminicídio e a violência contra a mulher, a criação de unidades de atendimento para mães de crianças atípicas e a expansão de escolas técnicas e de ensino em tempo integral. Ao fim, citou Flávio Bolsonaro como “seu candidato à presidência”.

Já Haddad mencionou dados negativos da gestão atual nas áreas de educação, saúde, contas públicas, segurança pública e escândalos de corrupção na Secretaria da Fazenda. Nos seus minutos finais, também acenou às mulheres e à população LGBT e criticou Flávio, a quem chamou de “ameaça para o país”, relacionou com o escândalo do Banco Master e com os desvios no INSS e até com bets, e mencionou Lula como seu candidato ao Planalto.

Tarcísio lidera as pesquisas neste momento, com 44% das intenções de voto no levantamento da Quaest divulgado mais cedo. Haddad aparece na sequência com 24%. Brancos e nulos somam 12%, e indecisos, 16%. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Houve apenas um debate anterior entre a dupla, ainda no dia 9 de agosto, quase dois meses atrás e antes mesmo do início oficial de campanha. Haddad chegou a ir a compromisso na Record nesse meio tempo, que virou sabatina pela ausência de Tarcísio. Nesse histórico escasso, o que se viu também foi uma batalha de números e dados sobre a administração paulista.

Tarcísio e Haddad já se enfrentaram, há quatro anos, nas eleições ao governo de São Paulo. O ex-ministro de Jair Bolsonaro conquistou o mandato com 55,3% dos votos válidos no segundo turno, contra 44,7% do petista. Na época, Rodrigo Garcia, do PSDB, representava uma terceira força nas urnas, o que não acontece este ano e facilita uma resolução precoce do pleito.

Ao longo do dia, a coligação de Haddad inseriu propagandas no rádio alegando que Tarcísio precisaria se explicar sobre as relações entre o senador Flávio Bolsonaro (PL), seu aliado e candidato a presidente, com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Seria um exemplo de nacionalização do debate, num momento em que Lula empata numericamente com o rival nas pesquisas.

Original Source
https://oglobo.globo.com/politica/eleicoes-2026/noticia/2026/09/29/debate-na-globo-tarcisio-e-haddad-participam-de-ultimo-confronto-antes-do-primeiro-turno-em-sao-paulo.ghtml
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